Para os sites, foi escolhida a base de dados Alexa, da Amazon. Adotada internacionalmente, ela aponta sites mais acessados e traz algumas informações complementares acerca das dinâmicas de acesso pelos usuários. Assim como no caso das aplicações, a opção é focar em sites fontes de mensagens ou onde haja fluxo destas (sejam elas notícias, conteúdos e bens culturais). Não serão priorizados, portanto, sites de comércio eletrônico e institucionais (como os de bancos).

Perfil dos agentes

Alexa

Sites: 23 dos 30 mais acessados

  • Plataformas: 16 (70%)
    • Circulação de conteúdos: 7 (30%)
    • Redes sociais: 4 (17%)
      • Circulação de conteúdos: 3 (13%)
      • Mensageiros: 1 (25%)
    • Multiserviços: 2 (8%)
    • Mecanismo de busca: 1 (4%)
    • Outros (e-mail): 2 (8%)
  • Sites: 7 (30%)
    • Sites tradicionais: 6 (26%)
    • Portal agregador: 1 (4%)

Assim como nas aplicações, as plataformas ocupam os principais postos no mercado de sites, representando 69% do total. Mas, diferentemente do grupo anterior, nesse, aquelas relacionadas à disseminação de conteúdos aparecem mais do que as redes sociais. O conjunto é bastante diverso, com duas plataformas de streaming de vídeo (a maior do mundo, YouTube, e a mais popular na temática pornográfica, Xvideos), duas plataformas multisserviço (Live.com e MSN.com), duas plataformas de conteúdos diversos (Blastingnews.com.br e Explicandoo.com), uma de troca de informações sobre lojas, bens e serviços (Reclameaqui.com.br) e outra dedicada ao desenvolvimento e publicação de sites (WordPress.com). Uma exceção merecedora de registro é a do site Wikipedia, espécie de “enciclopédia virtual” de referência internacional e que aqui aparece como plataforma sem finalidades lucrativas no topo do ranking.

Entre as redes sociais, que respondem por 17% dos sites, a lista é bastante semelhante à registrada anteriormente, com Facebook, Instagram, WhatsApp e Twitter. Diferentemente do grupo das aplicações, aqui o Twitter ascende em detrimento do Snapchat. O primeiro já possui maior tradição de consumo em desktops, enquanto o segundo é mais recente e já surgiu como aplicativo para ser utilizado em smartphones, tendo sua extensão para desktops como forma secundária. O WhatsApp, embora também tenha o uso em computadores como uma extensão, entra na lista em boa posição, indicando a disseminação da sua adoção nesses dispositivos. A ausência do Facebook Messenger, presente nas listas de aplicações, pode ser explicada pelo fato do mensageiro ser acessado no interior do site Facebook.com, e não em um endereço diferente. Já como aplicação, ele demanda uma instalação própria.

O segundo grande grupo é o de sites, com 30% dos endereços analisados. Uma curiosidade é o fato de apenas um portal agregador figurar entre esses, o UOL. A lógica de portal visa reunir diversos sites para, entre outras coisas, catalisar visitas. O Globo.com, que possui forma de portal mas não conteúdo, já que veicula apenas produtos do Grupo Globo, é outro site importante. O único site de conteúdo puramente jornalístico que está entre as primeiras posições é o Metrópoles, criado pelo empresário e ex-senador, agora preso, Luís Estevão, de Brasília. Sites menos tradicionais e desvinculados de grandes grupos de mídia, como o Blasting News, o Explicandoo.com e O TV Foco figuram melhor no ranking do Alexa.

Contudo, uma análise mais detida sobre o perfil destes e sua cadeia de valor levanta reflexões importantes para compreender esse fenômeno. Todos eles trabalham com curiosidades e textos de perfil apelativo, conhecidos popularmente como “caça-cliques”. No caso dos sites otvfoco.com.br e fatosdesconhecidos.com.br, a cadeia é a difusão de conteúdo próprio, cuja visibilidade está relacionada à atração gerada por esse tipo de conteúdo. Já os sites O Noticioso e Explicandoo são controlados pelo grupo Zip Network, cuja origem não foi possível confirmar. O grupo não angaria usuários para produzir conteúdo, mas, ao contrário, fornece conteúdos para que as pessoas operem como “divulgadores”, oferecendo um percentual das receitas auferidas com os cliques, interações e publicidade vinculadas àquele conteúdo. A finalidade desses sites, portanto, não é a difusão de textos, mas esses são o meio para obter receita por meio da difusão, especialmente em redes sociais.

Ainda sobre a cadeia de valor, os demais sites funcionam baseados em produção própria. A Globo, como já apontado, adota o Globo.com como local de convergência da informação que gera em seus mais diversos veículos de mídia. Ao mesmo tempo, estimula o acesso a este por meio dessas mesmas mídias, em estratégias “cruzadas”. O Metrópoles superou veículos tradicionais (como Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo) veiculando produção própria, mas sem deixar de flertar com estratégias “caça-cliques”.

Quanto à origem, o universo de sites traz mais iniciativas brasileiras, mas ainda assim o domínio estrangeiro é largo e consolidado. Empresas estadunidenses controlam 13 dos 23 sites mais acessados de acordo com esta análise, representando 56% do total. Entre os 10 mais bem colocados, 8 são dos Estados Unidos (80%). A origem nacional ocupa a segunda colocação, com seis sites (26%). Os sites no Brasil de matrizes suíça e polonesa são aqueles voltados à monetização pela disseminação de conteúdos, e não à produção destes.

Sites mais acessados – Alexa (dezembro de 2017)

Posição
Site
Origem
1
Google.com.br
EUA
2
YouTube.com
EUA
3
Google.com
EUA
4
Facebook.com
EUA
5
Live.com
EUA
6
Globo.com
Brasil
7
Uol.com.br
Brasil
8
Yahoo.com
EUA
9
Blastingnews.com
Suíça
10
Instagram
EUA
11
Wikipedia
EUA
12
Netflix.com
EUA
13
WhatsApp
EUA
14
Xvideos
Polônia
15
Msn.com
EUA
16
Explicandoo.com
Não disponível
17
Metropoles.com
Brasil
18
Twitter.com
EUA
19
Onoticioso.com
Não disponível
20
Fatosdesconhecidos.com.br
Brasil
21
Reclameaqui.com.br
Brasil
22
Otvfoco.com.br
Brasil
23
Wordpress.com
EUA

Participação de mercado

Em termos de controle, o universo dos sites é menos controlado do que o das aplicações . Não há índice tão profundo quanto o do Facebook na análise anterior. Contudo, fica evidente o domínio pelas grandes plataformas, com Facebook e Google na primeira posição, com 13% do universo cada. Vale o registro de que, se entre as aplicações o Facebook se destaca com versões diferentes (como o Facebook Lite), entre os sites o Google aparece pelo menos com duas extensões territoriais distintas (Google.com, internacional, e Google.com.br, voltada ao Brasil). Em seguida, vem outra “Big Tech”: a Microsoft (8,6%). Em conjunto, os grandes conglomerados de tecnologia norte-americanos (acrescendo aí Netflix e Twitter) são responsáveis por 10 dos 23 endereços de melhor desempenho, 43% do total.

A Zip Networks surge com dois websites – contudo, com a ressalva já feita, por tratar-se de uma empresa voltada à monetização da circulação de conteúdo, e não à sua produção. Entre os serviços de streaming, estão dois líderes de seus segmentos, o Netflix no pago de vídeo e o Xvideos nos conteúdos audiovisuais pornográficos. Entre os agentes da indústria de mídia tradicional, aparecem no ranking apenas o maior conglomerado do setor, o Grupo Globo (Globo.com) , e o líder no mercado de jornais e pioneiro da área de Internet no Brasil, o Grupo Folha (UOL), reforçando a lógica de propriedade cruzada que marca o setor de comunicações no país.

Sites mais acessados – Alexa (dezembro de 2017)

Posição
Site
Grupo
1
Google.com.br
Google
2
YouTube.com
Google
3
Google.com
Google
4
Facebook.com
Facebook
5
Live.com
Microsoft
6
Globo.com
Globo
7
Uol.com.br
Folha/Abril
8
Yahoo.com
Verizon
9
Blastingnews.com
Blasting AS
10
Instagram
Facebook
11
Wikipedia
Wikimedia Foundation
12
Netflix.com
Netflix
13
WhatsApp
Facebook
14
Xvideos
WGCZ Holding
15
Msn.com
Microsoft
16
Explicandoo.com
Zip Networks
17
Metropoles.com
Grupo OK
18
Twitter.com
Twitter
19
Onoticioso.com
Zip Networks
20
Fatosdesconhecidos.com.br
Fatos desconhecidos
21
Reclameaqui.com.br
Reclame Aqui
22
Otvfoco.com.br
TV Foco/IG
23
Wordpress.com
Wordpress.com

Grupos controladores de sites

Grupo
Sites
Google
3
Facebook
3
Microsoft
2
Zip Networks
2
Globo
1
Folha/Abril
1
Verizon
1
Blasting AS
1
Wikimedia Foundation
1
Netflix
1
WGCZ Holding
1
Grupo OK
1
Twitter
1
Fatos desconhecidos
1
Reclame Aqui
1
TV Foco/IG
1
Wordpress.com
1
1 Pela ausência das informações sobre visitas (pageviews) e visitantes únicos (unique visitors) não será possível realizar análise como a operada no grupo anterior, que levou em consideração o número de downloads.
2 Vale lembrar que o Grupo Globo possui ao menos mais de uma dezena de sites. Seu site Globo.com reúne dentro dele três grandes sites: G1 (noticioso), Globoesporte (jornalismo/esporte) e Gshow (entretenimento).